top of page

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!

Por José Roberto B. Cunha - Anvisa/DF


"Pelos campos há fome em grandes plantações Pelas ruas marchando indecisos cordões Ainda fazem da flor seu mais forte refrão E acreditam nas flores vencendo o canhão

Vem, vamos embora, que esperar não é saber Quem sabe faz a hora, não espera acontecer"

Geraldo Vandré



Caros colegas, gostaria fazer aqui uma reflexão sobre a captura do Estado sobre os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, assim como o desmonte do serviço público e o enfraquecimento as entidades de classes como forma de governar oprimindo e retirando direitos históricos, conquistados com muita luta ao longo de anos de enfrentamento.


Meu nome é José Roberto, Servidor Público Federal há 37 anos, sendo 29 anos dedicados à Vigilância Sanitária. Hoje, estou lotado na área de Fiscalização em Portos, Aeroportos e Fronteiras na Coordenação Estadual do Distrito Federal. Sou militante sindical histórico desde minha entrada no serviço público, pois acredito veementemente que somente unidos de forma organizada é que conquistamos os nossos direitos enquanto classe trabalhadora.


Nesse momento, estamos passando por uma crise institucional sem precedentes na história do Brasil que deve nos preocupar, enquanto filiados ou não a um Sindicato. E, aqui, vale ressaltar que nestes meus 37 anos de serviço público sempre estive à frente das mais importantes lutas de interesse de nossas categorias, e até hoje desconheço qualquer benefício ou ganho, seja ele remuneratório, planos de carreiras ou melhorias de condições de trabalho, que não tenha sido conquistado a partir de um enfrentamento ao governo e resistindo bravamente aos ataques aos nossos direitos.


Entendo que, para isso, o papel do sindicato é lutar intransigentemente em favor de sua categoria, independentemente do governo, seja ele de direita, de centro ou de esquerda. Neste sentido, estou neste momento pedindo e conclamando a todos para um engajamento para resistir e enfrentar esta política ultraliberal que visa o desmonte do serviço público, retirando direitos, e não concedendo sequer um espaço para negociação de uma recomposição de perdas salariais cada vez maiores, devido ao crescimento desenfreado da inflação, causada pela política econômica voltada para os grandes empresários, banqueiros e o capital estrangeiro.


No entanto, companheiros, necessitamos cada dia mais do apoio incondicional de todas as categorias, seja ela do quadro novo ou antigo, para que juntos possamos retomar o único instrumento legítimo que temos para enfrentarmos essa situação. Pois, se estamos passando por todas essas dificuldades é porque o nosso Sindicato está nas mãos de pessoas que não entendem, não conhecem o instrumento que têm nas mãos, e quando você coloca uma máquina, seja qual for, em mãos erradas, isso é considerado um risco iminente de desastre, e é exatamente isso que estamos vivendo, um verdadeiro desastre de desinformação, de forma de condução, desastre de todas as ordens e natureza.


Para reverter essa situação só há um jeito, e a que vislumbro neste momento tão crucial que estamos vivendo, é nos colocarmos à frente do nosso sindicato, digo nosso porque foi construído pelas mãos dos trabalhadores organizados e comprometidos com a luta da categoria. Para ocupar uma máquina sindical tão importante para nossa sobrevivência profissional e pessoal, as pessoas devem estar dispostas a lutar e a colocar sempre os interesses coletivos à frente de qualquer projeto pessoal. Não podemos permitir que os representantes sindicais assistam e aceitem pacificamente os ataques aos servidores, assim como a retiradas de direitos históricos conquistados com muito suor e luta.


Ademais, quero salientar que nenhum dirigente sindical tem um cheque em branco dado por mim, ou por qualquer outro servidor filiado, ou não, para elaborar planos de carreiras, ou qualquer outra coisa semelhante sem que passe pelos fóruns de discussões democráticos que são as plenárias de base, e inclusive no fórum de instância máxima que é o nosso CONSAG. É necessário que se discuta minimamente um projeto que vai afetar as nossas vidas funcionais. O que é bom para um, pode não ser para outrem, por isso é necessário conhecer qualquer projeto que vai mexer com sua vida financeira e profissional.


Portanto, não podemos cair em cantos de sereias, ou ir na onda, e até mesmo sermos induzidos por falsas promessas com venda de ilusões. É hora de renovação e luta, meus amigos. É hora de retirar o Sinagencias das mãos de pessoas incapacitadas, para que possamos fazer os enfrentamentos necessários a qualquer governo que esteja posto, para não sofrermos derrotas ainda maiores no futuro. Pensem nisso, pois quem sabe faz a hora, não espera acontecer. É o momento de resistir e LUTAR.

bottom of page